Voz feminina é a voz da democracia, diz Dilma na ONU.

Presidenta abriu a Assembleia Geral da ONU. “Pela primeira vez uma voz feminina inaugura o debate geral. É a voz da democracia” Notícia anterior Inquérito do MP apura denúncias sobre Pedro Novais Próxima notícia Secretário contrata empresa que emprega filha e constrói sua casa A presidenta Dilma Rousseff abriu, nesta quarta-feira, a 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York. “Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo”, disse Dilma. “Tenho certeza que este será o século das mulheres”, acrescentou. Conforme um diplomata já havia adiantado ao iG, o discurso da presidenta foi bastante centrado na crise econômica e na necessidade de se reformar o Conselho de Segurança da ONU. Leia o discurso de Dilma na íntegra Assita ao discurso de Dilma na íntegra “É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar aqui hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola em especial os países desenvolvidos”, disse Dilma. Ela lembrou que, assim como outros países emergentes, o Brasil tem sido menos afetado pela crise até agora. “Mas sabemos que a nossa capacidade de resistência à crise não é ilimitada”, ressaltou. Dilma foi recebida com aplausos entusiasmados e foi interrompida por mais aplausos três vezes durante o seu discurso, quando falou sobre a necessidade da criação de um Estado palestino, quando reforçou a necessidade da reforma da ONU e quando elogiou a criação da ONU Mulher. Sua filha, Paula, que está em Nova York com a presidenta, assistiu ao discurso sentada na plateia da Assembleia Geral, e sorriu quando sua mãe subiu no palco, vestindo blazer a saia azul floreados – representando uma vestimenta tipicamente feminina e na cor da bandeira da ONU. Crise econômica Sobre a crise econômica, Dilma afirmou que “o mundo vive um momento extremamente delicado” e cobrou coesão política e coordenação macro-econômica entre países integrantes da ONU, G-20, FMI e outros organismos. A presidenta afirmou que vivemos um momento extremamente delicado, de uma crise econômica que pode se transformar em uma grave crise política e social no mundo todo, afetando inclusive as relações entre os países. “Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por poucos países”, afirmou. “Todos os países sofrem as consequências”. Dilma também disse que não é por falta de recursos financeiros que ainda não se encontrou uma solução para a crise, mas por falta de “clareza de ideias”. “Uma parte do mundo não encontrou ainda o equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos fiscais corretos”. Dilma lembrou que o mundo tem atualmente 205 milhões de desempregados, ressaltando que 44 milhões deles estão na Europa e 14 milhões, nos Estados Unidos. Ela também ressaltou a importância do combate à pobreza e lembrou que o Brasil já atingiu a quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU antes do prazo de 2015. Em relação à reforma da ONU e de outras entidades multilaterais, a presidenta usou as mudanças mundiais que estão ocorrendo por causa da crise econômica para reforçar a necessidade dessas reformas, principalmente no Conselho de Segurança, lembrando que esse debate sobre a reforma já dura mais de 18 anos. “O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea, um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento. O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho”, afirmou, sendo fortemente aplaudida pela Assembleia. Estado palestino A presidenta brasileira também foi taxativa em relação à necessidade do reconhecimento do Estado palestino pela ONU. “Assim como a maioria dos países nesta Assembleia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a título pleno”, afirmou, deixando claro que o Brasil não quer que a Palestina passe de Entidade Observadora para Estado Observador na ONU, mas sim para Estado Membro da ONU. “Lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na ONU. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas”, ressaltou. A Autoridade Palestina pedirá ao Conselho de Segurança da ONU a adesão plena de um Estado palestino nas Nações Unidas. Tortura Ao final de seu discurso, Dilma lembrou o seu passado de rebeldia e tortura. “Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade”, disse emocionada. Ela foi novamente bastante aplaudida. Ao terminar o discurso, enquanto o presidente americano Barack Obama se dirigia à tribuna, Dilma foi cerca por mais de 10 chefes de Estado e diplomatas que queriam abraça-la e apertar a sua mão. Nervosismo A tarefa de abrir a Assembleia Geral da ONU está a cargo do Brasil desde a 1ª Sessão Especial da Assembleia, em 1947. À época, coube ao diplomata brasileiro Oswaldo Aranha o discurso inaugural da sessão, tradição que se manteve desde então. Diplomatas brasileiros na ONU disseram que Dilma estava bastante nervosa antes do discurso desta quarta-feira. O texto foi alterado diversas vezes pela presidenta. Este teria sido o motivo de o conteúdo não ter sido divulgado com antecedência para a imprensa. Antes da presidenta Dilma, discursou o Secretário Gertal da ONU, Ban Ki-Moon. Depois da presidenta, foi a vez do presidente americano, Barack Obama. O terceiro país a falar foi o Qatar, que está ocupando a presidência rotatória da Assembleia, e o quarto, o México. O discurso de Dilma ocorre na véspera da primeira viagem oficial da presidenta à Europa. Ela deve passar os dias 4 e 5 de outubro em Bruxelas durante a Europalia, festival de artes que nesta edição homenageará o Brasil. Em seguida, deve ir à Bulgária, país onde seu pai nasceu, e à Turquia.

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